Jaques Wagner na Fazenda de Haddad

Todo mundo sabe, não por promessa mas por experiência, que Fernando Haddad não vai tocar fogo no circo da economia se eleito. Mas também não vai sair agora com nenhuma jogada tipo Carta aos Brasileiros para acalmar o mercado e nem indicando antecipadamente um nome ligado ao mercado como ministro da Fazenda. Traçou para esse cargo um perfil semelhante ao dele próprio, mais político do que técnico, que, segundo quem lê os recados de Curitiba e de São Paulo, é hoje o do ex-governador e ex-ministro Jaques Wagner.

Wagner seria também o preferido do ex-presidente Lula para a Fazenda de um hipotético governo Haddad. Afinal, dividiu com ex-prefeito de São Paulo a condição de pré-candidato a substituir Lula quando este teve a candidatura cassada pelo TSE. É evidente que o sujeito que quase foi candidato de Lula terá papel muito importante num eventual novo governo do PT.

Acima de tudo, dizem caciques petistas, Wagner é o candidato mais forte para a Fazenda por suas qualidades como conciliador e hábil articulador. Ele será eleito senador, encaixando-se num perfil de ministro da Fazenda jeitoso, com diálogo com o Congresso. Quem o conhece sabe também que o “Galego”, como é chamado por Lula, costuma delegar poderes nas funções que ocupa – o que abriria espaço para Haddad colocar no segundo escalão da Fazenda os técnicos respeitados pelo mercado para tomar as medidas fiscais necessárias.

Mais importante do que tudo, segundo os companheiros petistas: Wagner não tem problemas de ego, ou seja, dificilmente ficaria disputando poderes com o presidente da República ou posando de eminência parda do governo – o que tanto costuma irritar os governantes.

Na ocasião em que foi sondado sobre a candidatura presidencial, Wagner declinou, preferindo continuar sua campanha na Bahia, onde deverá se eleger senador com ampla votação e deve reeleger, já no primeiro turno, o governador Rui Costa. Alguns comentam ter se tratado de um recuo estratégico no momento em que se viu alvo de depoimentos da delação premiada da Odebrecht. Nada disso prosperou, ao menos até agora, e Wagner chegará a Brasília coberto de votos e de prestígio. Desta vez, não vai declinar.

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